Crises europeias intimidam expectativas de consumo. Portugueses esperam aumento de rendimentos
Desde junho, o indicador do Clima de Consumo UE28 desceu meio ponto para 10,3 pontos em setembro. Em agosto, chegou a registar uma queda “abrupta” para nove pontos, conclui a GfK
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Ana Catarina Monteiro
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Desde junho, o indicador do “Clima de Consumo da UE28” desceu meio ponto para 10,3 pontos em setembro. Em agosto, chegou a registar uma queda “abrupta” para nove pontos, conclui a GfK.
“Em meados e finais do verão, as crises e os conflitos no Próximo e Médio Oriente foram ganhando cada vez mais preponderância nas mentes dos europeus”, explica a consultora GfK, que elaborou o estudo “Clima de Consumo da Europa”, análise mensal levada a cabo através de inquérito a uma amostra representativa nos 28 países da União Europeia.
Em Portugal, embora o Produto Interno Bruto Português (PIB) “tenha crescido 1,6% quando comparado com o segundo trimestre do ano passado”, os consumidores creem que o desenvolvimento económico estagnou. Desde junho transato, as expectativas económicas caíram 1,4 pontos. Contudo, os 13,8 pontos do indicador colocam o indicador ainda num terreno “claramente” positivo.
Embora o desemprego permaneça muito elevado (atualmente nos 12,4%) e não tenha recuperado nos meses do verão, as expectativas para a evolução dos rendimentos desde junho aumentaram 5,8 pontos, tendo atingido o valor de 6,7. Este é o valor mais elevado desde março de 2000. Comparado com o mês homólogo do ano passado, o aumento é de cerca de 17 pontos.
A propensão a consumir dos consumidores portugueses continua muito baixa. Embora tenha registado um ligeiro aumento de 3,2 pontos face a junho, o indicador permanece ainda em terreno negativo, nos -20,8 pontos. Muitos dos consumidores não estão ainda em condições de contemplar compras ou serviços de alto valor que vão para além das necessidades diárias.
As conclusões do estudo são baseadas num inquérito mensal aos consumidores, encomendado pela Comissão Europeia. São cerca de 40 mil os inquiridos por mês nos 28 países, a uma amostra que representa a população adulta na UE.
Entre as principais conclusões gerais, denota que a logística e a atenção aos refugiados que atravessam a Europa “cedo se tornaram temas predominantes” neste último verão. “Na Alemanha, por exemplo, especialistas e consumidores presumem que o desemprego possa vir a aumentar na próxima primavera, quando os refugiados aceites começarem a enveredar pelo mercado de trabalho do país”. Continua, no entanto, “por esclarecer a medida em que a integração dos refugiados em cada país terá consequências económicas”, o que afeta o estado de espírito dos consumidores.
Em termos globais, a situação nos países abrangidos pelo estudo apresenta amplas variações. Em alguns deles, foram mais os fatores psicológicos, como os ligados às crises que ocuparam cada vez mais as suas preocupações, os quais produziram um certo ceticismo sobre a economia. “Em muitos casos, as avaliações dos cidadãos das expectativas económicas e da evolução dos rendimentos, bem como a propensão a consumir, eram mais negativas do que os números da conjuntura nacional levariam a crer”, explica em comunicado a consultora.
No entanto, em outros países, fatores como o crescimento económico e o desemprego permaneceram em primeiro plano, com um resultante impacto em indicadores individuais.