“A vantagem do laboratório experimental é o ambiente controlado”, diz Rita Vale Coelho (Católica)
Rita Vale Coelho, coordenadora do LERNE, laboratório experimental que nasceu em 2013 nas instalações da Universidade Católica, em Lisboa, explica, em entrevista ao HIPERSUPER, o que a sua equipa de investigação pode fazer pelas marcas de grande consumo

Rita Gonçalves
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Rita Vale Coelho, coordenadora do LERNE (Laboratory of Experimental Research In Economics and Management)
Rita Vale Coelho, coordenadora do LERNE (Laboratory of Experimental Research In Economics and Management), laboratório experimental que nasceu em 2013 nas instalações da Universidade Católica, em Lisboa, explica, em entrevista ao HIPERSUPER, o que a sua equipa de investigação pode fazer pelas marcas de grande consumo
Em que circunstâncias e quando nasceu o LERNE?
O laboratório surgiu, enquanto necessidade da nossa equipa de investigação, em janeiro de 2013. Assim que conseguimos o investimento necessário, bastou um ano para o erguer. Surge para colmatar esta necessidade de investigação, tirando partido dos alunos da universidade. Anexámos ao laboratório, um supermercado onde conseguimos simular processos de decisão como, por exemplo, verificar como o ‘shopper’ reage a estímulos vários, como o preço, corredores mais ou menos estreitos, mais ou menos luz ou a distância entre as prateleiras, entre outros. Fazemos muitos estudos para retalhistas e marcas de grande consumo.
Por que é que os retalhistas não fazem esses estudos em loja?
Por que na loja existe muito ruído e um conjunto de variáveis que não controlamos. A vantagem do laboratório experimental é que a única coisa que é manipulada é aquilo que queremos realmente que seja. E depois vamos testar se este tipo de exposição/estímulo influencia ou não o comportamento de compra. Temos mesmo produtos, carrinhos de compras e uma caixa de saída.
Sentimos a necessidade por parte das empresas de ter maiores amostras de participantes e em junho do ano passado criamos um painel de estudos online. A ideia era chegarmos a uma amostra mais diversificada e heterogénea, mais representativa da população portuguesa. Estamos quase a chegar à barreira dos cinco mil participantes inscritos. Temos ainda um espaço para testar dados pós consumo. Por exemplo, podemos pedir
às pessoas que cozinhem ou perguntar onde guardam aqueles produtos no armário, por que isto tem a ver com a forma como as pessoas tomam as decisões. Oferecemos hoje uma solução muito mais holística. Todos os participantes do painel são remunerados.
Dentro das hierarquias das empresas a quem servem estes estudos?
Um bocadinho de tudo. Para ter uma ideia, na última apresentação de resultados de um estudo que fizemos a pessoa mais excitada na sala era o CEO. Era uma empresa grande, com uma quota de mercado grande, só que nunca tinha investido para tentar perceber o comportamento do ‘shopper’. Os seus olhos brilhavam porque estava a receber ideias que nunca tinha pensado. Cada vez mais é preciso estudar o consumidor. As empresas estão mais sensibilizadas hoje para isto. É impossível fidelizar sem conhecer. Precisamos de dados para conseguir fazer ofertas personalizadas.