Foto © João Pedro Rocha/ PortugalFoods
Novos nichos de mercado e snacks são macrotendências para setor agroalimentar
O setor agroalimentar reuniu-se esta quinta-feira num evento promovido pela PortugalFoods, na Maia, para discutir as tendências que vão marcar o setor em 2020
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Ana Catarina Monteiro
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Foto © João Pedro Rocha/ PortugalFoods
O setor agroalimentar reuniu-se esta quinta-feira num evento promovido pela PortugalFoods, na Maia, para discutir as tendências que vão marcar o setor em 2020.*
Num estudo realizado pela New Nutrition Business foram identificadas dez tendências que estão a transformar o setor, que vão desde as preocupações com a saúde digestiva e mental, a redução do consumo de hidratos de carbono e de açúcares, uma maior procura por gorduras naturais, fabrico artesanal e produtos à base de carne diferenciados.
No entanto, há quatro macrotendências que influenciam todas as anteriores e que irão ganhar relevo este ano. São elas: “fragmentação de mercado, snackification, sustentabilidade e naturalmente funcional”, explica durante o evento Joana Maricato, responsável de pesquisa de mercado da New Nutrition Business.
No que diz à fragmentação, espera-se uma crescente criação de nichos de mercado impulsionada pela informação “contraditória” disponível ao consumidor. “A maioria, 54% dos consumidores, diz que recorre primeiro ao canal online quando procura informação sobre nutrição. Médicos e nutricionistas vêm depois. O que está a criar crenças díspares. Há muita informação contraditória. O que abre portas a vários nichos de mercado”, explica Joana Maricato.
Neste sentido, há oportunidades de mercado não apenas para inovações à base de ingredientes mais orgânicos e considerados “saudáveis”, mas também no que diz respeito a novos produtos no segmento de carne, assim como inovações que recorram a gorduras naturais ou até mesmo ao açúcar – associadas a momentos de indulgência.
O que nos leva à segunda macrotendência: a “snackification”. Formatos de snacks, “de conveniência, para o consumo entre refeições, são tendência”, afirma a responsável, dando como exemplo as marcas Frubis ou a gama Essential da Compal. “Estes produtos têm um preço mais premium, o que compensa as marcas em termos de imagem de mercado”.
Os sancks podem também estar associados a outra macrotendência, quando sugerem um reaproveitamento de produtos à partida desperdiçados, por exemplo. Desta forma, dá-se azo à sustentabilidade, que é já palavra de ordem para toda a indústria e o setor agroalimentar não é exceção.
“Há uma tendência de apostar em packaging sustentável, upcycling (utilizar desperdício para criar subprodutos, por exemplo) e agricultura de regeneração”, descreve Joana Maricato. “No ano passado a Tetra Pak lançou a primeira embalagem totalmente feita com material reciclado”, exemplifica.
A tendência designada de naturalmente funcional indica a preferência por produtos orgânicos, associados a benefícios para a saúde, que nos últimos anos têm sido mais utilizados pelo setor agroalimentar para produzir inovação, uma vez que apresentam uma maior procura por parte dos consumidores.
“Nos últimos anos os consumidores mostram uma maior preferência por ingredientes mais naturais”, em detrimento daqueles que se apresentam com designações “mais químicas ou científicas, nos quais por vezes as empresas investiram muito”, explica a responsável da New Nutrition Business, destacando os crescimentos de produtos como “abacate, azeite, amêndoas, iogurte grego, húmus”.
Segundo uma análise elaborada pela Porto Business School, as exportações do o setor agroalimentar português rondam os seis mil milhões de euros, por ano, tendo subido ligeiramente em 2018 para os 6,1 mil milhões de euros, dá conta, por sua vez, Pedro Vieira, docente daquela instituição.
O objetivo da indústria passa por chegar entre os 6,64 mil milhões e os 6,75 mil milhões de euros em exportações no ano de 2021.
Num inquérito realizado a 143 empresas da fileira nacional agroalimentar, apurou-se que as “alterações climáticas, protecionismo ou imagem coletiva pouco desenvolvida, dimensão” são algumas da fraquezas detetadas pelas produtoras do País. A flexibilidade e associação ao setor do turismo para promoção internacional estão entre as oportunidades mencionadas.
*Leia mais sobre este tema na próxima edição impressa do Hipersuper