Online nunca irá absorver mais de 35% de comércio de luxo, diz fundador da Farfetch
O retalho tradicional acarreta a “magia” de uma experiência de compra sensorial que “não pode ser replicada online” e, por isso, será sempre a preferida dos consumidores

Ana Catarina Monteiro
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“Cerca de 90%” dos bens de luxo são ainda vendidos em loja. Apesar de o comércio online estar em expansão, este deve crescer para absorver, no máximo, entre “25 a 35%” do mercado de luxo, estima em entrevista ao jornal britânico The Telegraph o português José Neves, fundador e CEO (Chief Executive Officer) da Farfetch, a qual está prestes a entrar para a bolsa de valores.
Para o responsável que em 1996 inaugurou em Londres a insígnia de calçado para homem Swear, na qual ainda hoje detém uma participação, o retalho tradicional acarreta a “magia” de uma experiência de compra sensorial – através da decoração, aromas e sons, entre outras componentes -, que “não pode ser replicada online” e, por isso, será sempre o preferido dos consumidores.
O cenário conjeturado pelo fundador da Farfetch é favorável ao negócio, uma vez que, apesar de não deter pontos de venda físicos, depende da boa performance da rede de 700 boutiques de moda de luxo, espalhadas por 40 países, desde o Japão ao México. A estas retalhistas, a “maioria com gestão familiar”, a Farfetch garante visibilidade perante consumidores em todo o mundo oferecendo, em troca de comissões, exposição online, serviço de entregas e toda a gestão logística que vai desde os pagamentos em diferentes moedas às taxas alfandegárias, entre outros aspetos.
Entrada em bolsa
José Neves não nega os rumores que antecipam a entrada do negócio na bolsa de valores de Nova Iorque nos próximos 18 meses, com um capital de 5 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros). “É a próxima etapa lógica. A empresa está muito bem financiada e não precisa de angariar mais fundos. Mas tem capital de risco e empresas de private equity como investidoras, as quais procuram uma solução alternativa”, dá conta.
Quanto à comercialização na bolsa de mercado norte-americana, José Neves explica que ainda não está decido “onde nem quando” a empresa entrará em bolsa. “Os Estados Unidos são o nosso maior mercado, mas a questão da localização não interessa porque somos um negócio global”.
Por outro lado, a saída do Reino Unido, onde a Farfetch está sediada, da União Europeia não preocupa o fundador em termos comerciais. No entanto, receia o que possa acontecer em relação aos colaboradores de 25 nacionalidades, incluindo a sua, que trabalham na empresa. “Apenas espero que Governo britânico entenda que a diversidade de talentos que a indústria tecnológica necessita e que não comprometa a posição do país enquanto um espaço de excelência para fazer negócios”.