A crise pode estar a chegar ao retalho alimentar norte-americano
A elevada concorrência e consequente deflação dos preços, as mudanças de hábitos de consumo e o comércio eletrónico são “indícios de uma mudança de paradigma do retalho alimentar nos EUA […]

Ana Catarina Monteiro
Vinhos de Portugal 2025 reúne 1300 referências na disputa pelo título de melhor do ano
Clube de Ténis do Porto recebe Torneio CTP Torrié Coffee 2025
Centromarca manifesta preocupação com tarifas e lembra: “Força e integridade do mercado único da UE nunca foram tão essenciais”
Expocosmética regressa este mês à Exponor
Inovação portuguesa cria o primeiro arroz 100% nacional
Sport Zone reinaugura segunda maior loja do país no CascaiShopping
Salutem volta a apoiar a Corrida Sempre Mulher
Entregas não domiciliárias da InPost premiadas como ‘Melhor Serviço do Ano’
Quatro portugueses são finalistas dos World Food Photography Awards
Loja Continente GaiaShopping transformada para uma experiência de compra “cada vez mais positiva e inclusiva”
A elevada concorrência e consequente deflação dos preços, as mudanças de hábitos de consumo e o comércio eletrónico são “indícios de uma mudança de paradigma do retalho alimentar nos EUA nos próximos anos”, indica Jennifer Bartashus, analista da Bloomberg.
No último ano, o número de aberturas de lojas alimentares, drogarias e “discounts” nos Estados Unidos “multiplicou por quatro” face 2015. A concorrência prepara-se para apertar ainda mais, uma vez que a cadeia alemã Lidl anunciou no início deste ano a entrada no mercado norte-americano, no qual prevê abrir mais de 100 lojas ao longo da costa Este do país no próximo ano. De acordo com a Kantar Retail, a retalhista pode atingir uma faturação de 9 mil milhões de euros em 2023, expandindo a sua rede até às 630 lojas em seis anos. Por sua vez, a também alemã Aldi anunciou a abertura de entre 600 a 2000 lojas no mesmo mercado nos próximos anos.
De acordo com o portal eleconomista.es, o excesso da oferta está a provocar uma queda generalizada dos preços dos alimentos. A inflação nos EUA sobre produtos frescos apresenta os níveis mais baixos desde a década de 50, o que aumenta a pressão sobre as margens das empresas.
Com o incremento da concorrência, espera-se uma intensificação da guerra pelos preços mais baixos entre as cadeias alimentares, que prejudicará insígnias tradicionais como Walmart, Target ou Kroger. A Walmart já anunciou no início deste ano um reajuste do seu parque de lojas que inclui o encerramento de 154 lojas nos EUA. A expansão de novas insígnias faz tremer sobretudo os supermercados de menor dimensão e de carácter regional, que podem ser forçados a encerrar.
Por outro lado, o encerramento de lojas dedicadas a vestuário, eletrónica de consumo e eletrodomésticos está a alcançar este ano valores recorde nos Estados Unidos, por consequência do crescimento do comércio eletrónico.
Embora o retalho alimentar seja entendido como “impermeável ao online”, como explica à Bloomberg James Cook, director of retail research da JLL, o cenário pode mudar nos próximos anos, com a entrada das cadeias neste canal de vendas. Neste momento, apenas “1%” do retalho alimentar norte-americano transitou para o online.
Além disso, os hábitos de compra dos consumidores mudaram de trajetória. Segundo dados da Nielsen, as visitas aos supermercados aumentaram em 1% – a primeira subida em uma década. O comportamento evidencia, em parte, um aumento da preferência por produtos frescos, que leva os norte-americanos a dirigiram-se mais vezes às lojas para comprarem menos em cada visita.