Pedro Soares dos Santos, presidente e CEO da Jerónimo Martins
Dona do Pingo Doce antecipa cenário de descida de preços no retalho para garantir competitividade
Sendo o retalho um negócio de custos fixos, para diminuir custos é preciso mais vendas e para ter mais vendas é preciso investir em preço.
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Rita Gonçalves
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O aumento dos custos, resultado da subida das rendas, do aumento do custo com os salários e do investimento necessário para manter os preços de venda competitivos, estão, para a Jerónimo Martins (JM), entre os principais desafios para 2024.
“O esforço para ter preços competitivos existe e irá continuar a ser feito”, afirmou Pedro Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da JM, na conferência de apresentação dos resultados anuais do grupo. “Nos últimos cinco anos, a margem do EBITDA e do EBIT da companhia tem vindo permanentemente a baixar para garantir esta competitividade”, garantiu.
A juntar ao esforço que o grupo terá de fazer para se manter competitivo nos preços, há ainda o custo com as atualizações de rendas, indexadas à inflação do ano anterior, transversal a todos os países onde opera, e o aumento do custo com salários em todas as geografias. Em Portugal, por exemplo, uma trabalhador que entre agora no Pingo Doce vai ganhar no mínimo 1 100 euros, disse Isabel Ferreira Pinto, CEO da cadeia de supermercados, quando no ano passado o valor era de 1 000 euros.
“Já sabíamos desde o ano passado que o ano de 2024 vai ser difícil, mas há uma coisa que não vamos alterar, as remunerações. Alguns dos nossos concorrentes internacionais fizeram grandes reduções nessas áreas exatamente para poder lidar com a inflação. Nós vamos lidar com essa compensação através da eficiência”, garantiu Pedro Soares dos Santos.
Perante a pressão nos custos que todos os retalhistas irão sentir, Ana Luísa Virgínia, diretora financeira da JM, antecipa um cenário em que todos os operadores irão investir para baixar os preços. “Como o retalho é um negócio de custos fixos, para diminuir custos é preciso mais vendas e para ter mais vendas é preciso investir em preço”.
“Esta dinâmica vai contribuir para a própria deflação, com o mercado a sentir uma pressão muito significativa nas suas margens, quer por força do aumento dos custos quer por força do aumento da competitividade, e a concorrência a lutar pelas vendas para diminuir esses custos”, enfatiza.